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Geração de resíduos no carnaval



Após dois anos sem folia em decorrência da pandemia causada pela COVID-19, o carnaval voltou e trouxe consigo já famigerados aspectos e impactos ambientais: os resíduos. Sendo assim, apesar de ser uma festa famosa no mundo inteiro e importante meio de circulação econômica, o carnaval ainda é propulsor de inúmeros efeitos negativos à natureza.


Em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, por exemplo, no ano de 2020, carnaval que antecedeu à pandemia, foram totalizadas 3,5 mil toneladas de lixo recolhidos (GRANDISOLI. 2023). A maior parte foi disposta em aterros ou acabou sendo depositada na natureza, muito pouco teve reciclagem como destino.


Apesar de o carnaval de rua liderar o ranking de resíduos produzidos durante as festividades, os desfiles das escolas de samba também merecem atenção. Plástico, papel e têxteis são os principais materiais utilizados para a confecção das fantasias e decorações dos carros alegóricos, dentre estes se destacam também as penas sintéticas, lantejoulas e glitter. Só a fantasia de uma rainha de bateria, por exemplo, demanda cerca de 500 penas em sua confecção além de todas outras aplicações e acessórios. A geração extra de resíduos piora a situação dos aterros sanitários e gera custos adicionais de coleta pagos com recursos públicos, o que explicita ainda mais a necessidade de buscar continuamente um carnaval mais sustentável.


  • Produzindo menos resíduos:

A confecção de fantasias e adereços faz parte da diversão da festividade, porém também é um fator que pode vir a fomentar o consumo exacerbado e a geração de ainda mais resíduos. Por isso, ao invés de comprar todo ano uma fantasia diferente, é interessante checar se não dá para reutilizar alguma fantasia de anos anteriores ou transformar alguma peça em desuso no guarda-roupa através de upcycling ou customização. Se ainda assim for necessário comprar uma fantasia nova dê preferência a brechós ou produzidas de forma ecologicamente correta.


Já na folia, para se manter hidratado durante as festas, é mais sustentável optar por canecas e copos reutilizáveis de forma a produzir menos resíduo. Caso não seja possível, a preferência deve ser dada para bebidas com embalagens de fácil reciclagem como latas de alumínio.


  • Descartando os resíduos corretamente:

Assunto exaurido, mas ainda assim muito pouco praticado no carnaval: em hipótese alguma o lixo pode ser jogado no chão! Não importa se é em um cantinho ou do lado da calçada, esse resíduo eventualmente irá entupir bueiros, aumentar os riscos de enchentes e causar acidentes aos próprios foliões. É imprescindível buscar lixeiras e postos de coleta de resíduos.


  • Gastar menos combustível:

Na hora de se dirigir ao bloco, camarote ou desfile é preferível optar por meios de transportes que poluem menos o ar. Entre o avião e o carro, preferir o carro. Entre o carro e o ônibus, escolher a última opção. Para ir aos circuitos carnavalescos, preferir transportes coletivos ou carona (várias cidades estão disponibilizando ônibus gratuitamente ao redor desses circuitos).


  • Glitter, paetê e confetes:

Atualmente o glitter e os paetês levantaram discussões importantes sobre os microplásticos e em como o sistema de esgotamento sanitário do brasileiro não possuem tecnologias que possam vim a reter esse material que acabam parando nos mares e oceanos, acumulando poluentes e intoxicando a fauna marinha. Uma boa substituição ao glitter convencional são os glitters comestíveis, os glitters ecológicos e biodegradáveis. Há vários tutoriais na internet sobre como fazer glitter em casa. Mas se ainda assim nenhuma das opções forem agradáveis à realidade das pessoas, é indicado como contenção de danos evitar tirar o glitter com água ou duchas, pois esse é o caminho mais fácil desse microplástico até o mar. No lugar disso, tirar o glitter com algodão ou lenço umedecido.


É importante evitar também o uso de confetes e serpentinas em festas na rua, pois eles se misturam a galhos, folhas e podem entupir bueiros dificultando o escoamento das águas pluviais. Nunca os lançar principalmente em espaços naturais, próximos a cursos d’água ou em locais onde a varrição seja dificultada, pois os mesmos podem prejudicar o equilíbrio ecológico desses espaços e dos animais que ali vivem. Em caso de ambientes fechados em que realmente faz-se questão dos confetes, uma boa ideia é preparar o seu próprio usando revistas, jornais velhos e até folhas secas.


Palavras-Chave: "Carnaval"; "Geração de resíduos"; "Descarte de resíduos"


Quer nos referenciar?

AZEVEDO, J. ESA Jr. Geração de resíduos no Carnaval, 2023. Disponível em: https://www.esajr.com/blog


REFERÊNCIAS:


Pule o Carnaval de um jeito sustentável. ECycle. Disponível em <https://www.ecycle.com.br/carnaval-sustentavel/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2023.


Como o Cancelamento do Carnaval Pode Ajudar o Meio Ambiente? Ecoassist. Disponível em <https://ecoassist.com.br/carnaval/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2023.


ROSA, Patrícia. Lixo para uns, fonte de renda para muitos: 78 toneladas de materiais recicláveis são recolhidos durante o Carnaval de Salvador (BA). Revista Afirmativa. Disponível em <https://revistaafirmativa.com.br/lixo-para-uns-fonte-de-renda-para-muitos-78-toneladas-de-materias-reciclaveis-sao-recolhidos-durante-o-carnaval-de-salvador-ba/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2023.


Carnaval deixa 3,5 mil toneladas de lixo em cinco capitais. Monitor Mercantil. Disponível em <https://monitormercantil.com.br/carnaval-deixa-35-mil-toneladas-de-lixo-em-cinco-capitais/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2023.


MOURA, Ana Karla. CARNAVAL: DICAS PARA CAIR NA FOLIA COM MÍNIMO IMPACTO AMBIENTAL. Site da Infraestrutura e Meio Ambiente do estado de São Paulo. Disponível em <https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/2017/02/carnaval-dicas-para-cair-na-folia-com-minimo-impacto-ambiental/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2023.


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